UFMT celebra os 50 anos de Stonewall com exposição e filme

CARTAZ_EXPO

O Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais (NAPlus), em parceria com o Instituto de Saúde Coletiva e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da UFMT, preparam duas atividades para a próxima semana, em comemoração aos 50 anos de Stonewall, a batalha que marca a história da militância LGBT no Ocidente.

No dia 22 de agosto, às 19h, no Museu Rondon/UFMT, será aberta a exposição de curta duração “Festa, Política e o Corpo na Rua: uma antropologia visual da Parada da Diversidade de Cuiabá, nos 50 anos de Stonewall”, um trabalho de mais de cinco anos que conta com fotos e vídeos realizados em pesquisas de campo pelos antropólogos e professores da UFMT, Marcos Aurélio da Silva e Moisés Lopes.

No dia seguinte, 23 de agosto, às 15h, no auditório do museu, será a vez de mais uma edição do CinePLUS, o Ciclo de Cinema e Debates do Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais, com a exibição do filme “A morte e a vida de Marsha P. Johnson”. O documentário conta a vida de uma das mais atuantes ativistas de Stonewall e da militância LGBT de Nova York e sua morte que, depois de 25 anos, continua inexplicada.

Os dois eventos fazem parte do projeto de extensão “A produção da saúde em contextos LGBTs da Baixada Cuiabana” e das pesquisas realizadas pelo NAPlus sobre a militância LGBT local e suas demandas por direitos, saúde e qualidade de vida. Os autores da exposição e organizadores da exibição do filme explicam a importância de se refletir sobre os 50 anos de Stonewall e as relações desse evento com a realidade local.

“A batalha de Stonewall, ocorrida em 28 de junho de 1969, é um marco da luta LGBT por visibilidade e reconhecimento de cidadania. Não significa que antes não havia nenhuma movimentação política desse tipo, mas esta foi a primeira vez que as investidas LGBTfóbicas da polícia não foram aceitas passivamente. O que torna Stonewall especial é o fato de ter inaugurado uma militância baseada na visibilidade, sem medo de colocar a cara no sol, fora do armário. As paradas da diversidade que temos hoje são um desdobramento dessa política. A primeira foi realizada em 1970, justamente para comemorar um ano da batalha de Stonewall”, explica o professor Marcos Aurélio da Silva, do departamento de Saúde Coletiva, um dos autores da exposição.

Cuiabá conta desde 2004 com sua própria Parada da Diversidade que reúne anualmente milhares de militantes da população LGBT local. “É uma parada que conta com peculiaridades, se comparada com as outras. É uma das poucas realizada em dias úteis, estabelecendo um diálogo direto com a população da cidade”, afirma o professor Moisés Lopes, do departamento de Antropologia, o outro autor da exposição. “Nossa ideia de atrelar uma exposição sobre a parada e um filme sobre a militância aos nossos projetos de pesquisa e extensão sobre a saúde da população LGBT tem por objetivo mostrar que a visibilidade, a cidadania e a ocupação da rua são questões de saúde, são a força vital de existência e resistência desses sujeitos”, finaliza o professor Marcos.

Cineplus - MARSHA