21/05 – Construindo um olhar para a fotografia

Algumas dicas gerais sobre a fotografia
  • Fotografar não é uma forma de representação verossímil do que vemos, é um ponto de vista, em que vamos trabalhar com a organização dos elementos que estão ao nosso olhar.
11156168_10203812407101858_1126842475909086762_n (1)Foto: Marco Aurélio/Lagoinha de Cima/Chapada dos Guimarães, 2015
  • ÂNGULOS INESPERADOS: não tenham essa pretensão de, em cada foto, mostrar tudo, toda a paisagem, toda a cena. Uma parte dela é mais capaz de falar do todo do que o próprio todo.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Arthur Twomey
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Frank Schramm
  • COMPOSIÇÃO COM O QUE SE TEM: não precisamos pedir que as pessoas posem para nós, ou que façam algo. Devemos seguir o que elas fazem e tirar dali uma ideia sobre seu universo.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Jill Krementz
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Foto: Marco Aurélio, 1993.
  • CAPTAR OS MOMENTOS COM PACIÊNCIA EM VEZ DE BUSCAR A BELEZA: um cenário inóspito pode oferecer boas composições, REFLEXOS, TEXTURAS.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Henry Cartier-Bresson
  • PARALISAR A AÇÃO: existem técnicas que nos ajudam a paralisar o objeto e captá-lo em velocidade, dando essa sensação de movimento, através do fundo desfocado ou borrado.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Robert Kretzer.
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Foto: Marco Aurélio, Leoberto Leal, 2000.
  • FOTOGRAFIA É LUZ: compreender a iluminação é a chave de uma boa foto. Em ambientes escuros, há várias possibilidades de se fazer boas fotos, sem flash, buscando uma luz que entra da janela ou de uma luminária. Flash se usa em último caso e com intenções específicas. Luzes laterais realçam partes dos objetos captando ainda mais uma determinada emoção.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Paul J. Goldman
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de K. Ando
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Foto: Marco Aurélio, 1993
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Foto: Marco Aurélio, 1994
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Foto: Marco Aurélio, voo, 2014
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Foto: Marco Aurélio, Belém do Pará, 2014
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Foto: Marco Aurélio, Cuiabá, 2014
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Foto: Marco Aurélio, Belém do Pará, 2014
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Foto: Marco Aurélio, pesquisa de mestrado, 2002.
  •  CONSIDERAR FORMAS, TEXTURAS e CONTRASTES: captem as texturas daquilo que vcs observam, reconheçam suas formas num olhar mais atento.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Fotos de Morris Guariglia e Joseph Atchison
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Foto: Marco Aurélio, Chapada dos Guimarães, 2015.
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Foto: Marco Aurélio, Praia de Fora, 2014.
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Foto: Marco Aurélio, Cuiabá, 2015.
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Foto: Marco Aurélio, Chapada dos Guimarães, 2015.
  • PERSPECTIVAS: Captar linhas convergentes nos traz um ponto de vista inusitado sobre um lugar banal.
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Foto: Marco Aurélio, Museu da Caixa d’Água Velha, Cuiabá, 2015.
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Reprodução do livro “O prazer de fotografar”. Foto de Robert Kretzer
  • BRINCAR COM O OLHO HUMANO: nas fotografias retangulares conseguimos atrair mais atenção aos objetos que estão numa posição assimétrica em relação ao ambiente, como nos ensina a LEI DO TERÇO.

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Divida a foto em três partes, na horizontal e na vertical. No ponto de intersecção entre os terços, os elementos parecem ter mais destaque.

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Foto: Marco Aurélio, Praia de Fora, 2015.
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Foto: Marco Aurélio, Chapada dos Guimarães, 2015.
  • As MOLDURAS colocam a presença do fotógrafo na foto, indicando seu ponto de vista, ressaltando o lugar de onde vê, tal como os pedaços de tenda das fotos antropológicas clássicas.
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Foto: Marco Aurélio, Lagoinha do Leste, 1994.
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Foto: Marco Aurélio, Praia de Fora, 2015.
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Edward Evans-Pritchard, foto realizada entre os Nuer, no Sudão do Sul (1940).

Evitem os planos gerais na fotografia, a não ser que a ideia é criar contrastes, olhares inusitados, etc. Um detalhe pode trazer a significação que buscamos. Um ponto de vista não óbvio nos dá as dimensões daquilo que fotografamos. O PLANO GERAL tem sua função na linguagem cinematográfica, dentro de uma sequência. Assunto da próxima aula.

FONTE DESTA AULA:

EASTMAN KODAK COMPANY. O prazer de forografar: um guia do equipamento e das técnicas de fotografar melhor. São Paulo: Abril Cultural, 1981. baixar

ATIVIDADE: Quem ainda não fez as duas primeiras atividades, deve fazer. Quem já fez, deve fazer suas fotos de Cuiabá ou cidades da região, se utilizando das dicas dessa aula e do material do livro “O prazer de fotografar”.

Próxima aula: LINGUAGEM CINEMATOGRÁFICA

BERNARDET, Jean Claude. 1980. O que é cinema. Primeiros Passos (9).  São Paulo: Brasiliense. baixar  –  Ler o capítulo “A luta pela linguagem”.

14/05 – Distâncias e distanciamentos

Na aula de hoje, vimos as possibilidades de enquadramento na fotografia e no cinema e a relação desses planos e ângulos com a história pictográfica do Ocidente. Abaixo, uma apresentação que resume essa discussão. É interessante perceber o quanto os enquadramentos ou a distância em relação aos indivíduos retratados varia de acordo com o próprio distanciamento que os regimes visuais  ocidentais também mantém em relação a estes sujeitos. Os textos abaixo explicam melhor.

A aula teve como base os seguintes textos que continuarão a ser discutidos na próxima aula e, por isso, devem ser lidos pelos participantes do LAPA:

BARBOSA, Andréa; CUNHA, Edgar Teodoro da. Antropologia e Imagem. Rio de janeiro: Jorge Zahar Ed., 2006. baixar

JORDAN, Pierre. Primeiros contatos, primeiros olhares. Cadernos de Antropologia e Imagem, 1. Rio de Janeiro: UERJ, 1995. baixar

Os filmes que assistimos ou que foram citados podem ser vistos AQUI.

Outras informações sobre enquadramento podem ser encontradas no site: http://www.primeirofilme.com.br/site/o-livro/enquadramentos-planos-e-angulos/

Com base nisso, os participantes da oficina devem produzir sete fotografia que vão do Plano Geral ao Plano de Detalhe dos mesmos sujeitos, tentando dar um tom narrativo a essa sequência. Qualquer dúvida, entrem em contato pelo email marcosaurelio@ufmt.br.

É amanhã!

Os encontros do projeto de extensão Laboratório de Antropologia e Produção Audiovisual (LAPA) começam amanhã. Os alunos participantes estão recebendo em seus emails as confirmações de matrícula.

Quaisquer dúvidas entrem em contato: lapaufmt@gmail.com

 

Inscrições Abertas!

De 20 de abril a 5 de maio, estão abertas as inscrições para o curso de extensão “Laboratório de Antropologia e Produção Audiovisual”, oferecido pelo Núcleo de Antropologia e Saberes Plapa_face2lurais, do Departamento de Antropologia, da Universidade Federal de Mato Grosso. O curso vai oferecer aos seus participantes uma introdução à Antropologia Visual e do Cinema, além de teorias e práticas da Fotografia e do Audiovisual, relacionadas com a produção científica nas ciências humanas e sociais. Com uma carga horária de 80 horas, e com direito a certificado, o curso está aberto a alunos de graduação e de pós-graduação e a toda comunidade universitária.

Responsável: Prof. Marcos Aurélio da Silva (PPGAS/UFMT/PNPD/Capes)
Aulas: quintas-feiras, a partir de 7 de maio, às 15h, na sala 11/ICHS

Para efetuar sua inscrição de forma gratuita, acesse o formulário e envie para o email marcosaurelio@ufmt.br. A lista de participantes será divulgada nesta página e pelo facebook.

FORMULÁRIO DE INSCRIÇÃO

 

Chamada de artigos de Antropologia do Cinema para Revista Aceno

A ACENO, Revista de Antropologia do Centro-Oeste, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso, e o GRAPPA – Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais convidam pesquisadores da Antropologia e das ciências humanas a participarem do dossiê “Políticas e Poéticas do Audiovisual na contemporaneidade: por uma antropologia do cinema”, que pretende reunir trabalhos cujo tema seja produção, recepção, circulação e análise de imagens audiovisuais na contemporaneidade e o que apresentam de desafio às teorias antropológicas. Em um mundo cada vez mais constituído por fluxos e contrafluxos de narrativas audiovisuais, trata-se de considerar o cinema como uma forma expressiva significativa que revela, em imagens e sons, utopias e distopias contemporâneas. Dessa forma, buscamos abordagens teórico-metodológicas de investigações que lançam mão de filmes – documentais e ficcionais – como objetos e/ou métodos de pesquisa. Trata-se de debater o cinema em suas várias dimensões, com enfoque em: 1) modos como o aparato audiovisual tem sido utilizado em investigações; 2) articulações entre cinema, narrativas, memória e subjetividade; 3) representações e interpretações de narrativas cinematográficas sobre temas como as relações natureza/cultura, centro/periferia, corpo, gênero, sexualidade, classe, raça/etnia, identidade etc; 4) condições sociais de produção, circulação e recepção de narrativas em diferentes formatos e gêneros. Em suma, busca-se reunir nesse debate dilemas e potencialidades do cinema em interlocução com as ciências humanas e sociais. O dossiê está sendo organizado pelo PPGAS/UFMT em colaboração com o GRAPPA – Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais, que reúne pesquisadores de diversas universidades brasileiras e que, nos últimos anos, tem participado de eventos científicos das ciências sociais com simpósios, grupos de trabalho e mesas redondas de modo a discutir a ideia de uma possível antropologia do cinema.

Dossiê: “Políticas e Poéticas do Audiovisual na contemporaneidade: por uma antropologia do cinema” – ACENO, Revista de Antropologia do Centro-Oeste, 2 (1). Cuiabá: PPGAS/UFMT, jan./jun. 2015.

Organizadores: Marcos Aurélio da Silva/UFMT (marcosaurelio@ufmt.br); Eliska Altmann/UFFRJ (eliskaaltamann@gmail.com); Luis Felipe Kojima Hirano/UFG (lfhirano@gmail.com); Débora Breder Barreto/UCAM (deborabreder@hotmail.com).

Submissão: até 31 de maio de 2015, através do site da revista (http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/aceno/index)

Diretrizes para autores: http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/aceno/about/submissions#authorGuidelines

Sobre os organizadores:

Marcos Aurélio da Silva (UFMT) – Professor colaborador e pesquisador associado do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso (PPGAS/UFMT). Possui graduação em Comunicação Social (1997), mestrado e doutorado em Antropologia Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003 e 2012). Atua principalmente nos seguintes temas: performance, territorialidade, cultura gay, cinema, festivais, carnaval, gênero e sexualidade. Realizou Estágio de pós-doutorado na instituição, de 2012 a 2014 onde é integrante do Instituto Brasil Plural (IBP) e do Núcleo de Antropologia do Contemporâneo (TRANSES) dentro do projeto Cuidados de si e políticas da vida: políticas públicas e experiências sociais no campo da saúde e da cidadania no Brasil, coordenado pela professora Drª. Sônia Weidner Maluf. Atualmente é bolsista de pós-doutorado da Capes no PPGAS/UFMT, desenvolvendo pesquisa sobre festivais de cinema voltados para as temáticas de gênero e sexualidade, com ênfase em Performance, Territorialidade e Teorias do Sujeito. Também é integrante do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA).

Eliska Altman (UFRRJ) – Bacharel em Ciências Sociais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Doutora em Sociologia e Antropologia na mesma instituição. Professora adjunta da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, no Departamento de Ciências Sociais e no Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais (PPGCS). Coordenadora adjunta do Núcleo de Experimentações em Etnografia e Imagem (NEXTimagem) – PPGSA/IFCS/UFRJ. Integrante do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA). Autora do livro “O Brasil imaginado na América Latina: a crítica de filmes de Glauber Rocha e Walter Salles” – Contra Capa/ Faperj, 2010. Idealizadora do portal CineCríticos www.cinecriticos.com.br. Desenvolve trabalhos nas áreas de Sociologia da Cultura e Antropologia e Imagem, atuando principalmente nos seguintes temas: cinema(s), identidades nacionais, movimentos culturais e recepção de bens culturais.

Débora Breder Barreto (UCAM) – Possui graduação em Comunicação Social, habilitação Cinema, pela Universidade Federal Fluminense (2000); mestrado e doutorado em Antropologia pela Universidade Federal Fluminense (2003/2008), com estágio doutoral na École des Hautes Études en Sciences Sociales (2006). Formada em Cinema pela Escuela Internacional de Cine,Televisión y Video de San António de Los Baños, Cuba (1992). Trabalhou em curtas e médias-metragens, exercendo diversas funções. Foi Professora Visitante junto ao Departamento de Sociologia e Antropologia da Universidade Federal de Minas Gerais. É membro do Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais (GRAPPA/UFRRJ). Tem experiência na área de Antropologia, com ênfase em Antropologia do Cinema e Relações de Gênero, atuando principalmente nos seguintes temas: cinema, corpo, gênero, sexualidade, incesto, identidade.

Luis Felipe Kojima Hirano (UFG) – Professor Adjunto I de Antropologia da Faculdade de Ciências Sociais (FCS) da Universidade Federal de Goiás (UFG). É Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo (2007) e Doutor em Antropologia Social pela mesma instituição. Tem experiência na área de Antropologia, com especialidade nos estudos sobre Teoria Antropológica, Antropologia Visual, Antropologia das Populações Afro-brasileiras e nos debates que envolvem a intersecção entre raça/etnia, gênero, corpo e sexualidade. Foi Fellow da Faculty of Arts and Sciences da Universidade de Harvard, com bolsa sanduíche da Capes (2011). É membro do Ser-Tão (UFG), Etnohistória e NUMAS (USP) e do GRAPPA (Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais – UFRRJ). Além disso, coordena a Coleção Antropologia Hoje, do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo, juntamente com o diretor José Guilherme Cantor Magnani (USP) e os conselheiros Ronaldo de Almeida (Unicamp), Renata Menezes (MN) e Luiz Henrique de Toledo (UFSCAR). Apresentou trabalhos em congressos e universidades no exterior em 9 ocasiões. Em 2013, traduziu e publicou, em conjunto com Tatiana Lotierzo, a tradução ao português de “Fora de contexto”, de Marilyn Strathern.