O corpo na cidade: Festa, militância e os caminhos das políticas LGBTS em Mato Grosso e no Brasil

Artigo publicado na Revista Amazônica (UFPA), 8 (1): 142 – 171, 2016 

Partindo da dicotomia entre festa e militância que recai sobre as paradas da diversidade ou do orgulho LGBT, realizadas tanto nas grandes metrópoles quanto nos interiores, este artigo pretende desafiar esta lógica e mostrar as possibilidades políticas desse tipo de evento. Apesar de não indicarem o fim da violência ou a conquista de algum direito em lei, as paradas afirmam uma existência, marcam uma presença na superfície urbana, uma política que é a de colocar o corpo na rua, mas não um corpo único e desejável, mas corpos possíveis que ao ocuparem esse espaço público desafiam a heteronormatividade que havia lhes dado o armário como única possibilidade.

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Sujeitos, Estado e Políticas Públicas, colóquio do TRANSES/UFSC

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O Colóquio “Sujeitos, Estado e Políticas Públicas”, organizado pelo Núcleo de Antropologia do Contemporâneo e pelo INCT Brasil Plural, dá continuidade ao Colóquio anterior, realizado em março de 2014 na UFSC. No Colóquio serão apresentados trabalhos de pesquisa, finalizados ou em andamento, que problematizam a articulação entre sujeitos-Estado-políticas públicas. O tema das políticas públicas e dos direitos ganhou um espaço importante na antropologia nos últimos anos, de algum modo refletindo uma conjuntura de crescimento e avanço dessas políticas nas últimas décadas.

A antropologia política do Brasil contemporâneo que buscamos desenvolver nos projetos realizados no Transes tem buscado descrever as interfaces entre os agenciamentos sociais e a ação do Estado, através das políticas públicas, dos serviços públicos e das instituições, principalmente as de acolhimento e/ou encarceramento. 

De modo geral, temos desenvolvido uma reflexão sobre as biopolíticas contemporâneas, o que inclui, além de questões de saúde e saúde mental (que temos trabalhado mais especificamente nos últimos anos), questões sobre direitos, cidadania, políticas voltadas a populações específicas e aos diferentes dispositivos sociais mobilizados no sentido da produção de corpos e sujeitos.

specificamente no projeto “Políticas públicas, experiências sociais e biolegitimidade: novos regimes biopolíticos, cuidados de si e outras políticas da vida”, buscamos compreender o processo de patologização, psiquiatrização e medicalização do sofrimento, da pobreza, da exploração e desigualdade de gênero e de outras experiências sociais na produção de políticas públicas e nas ações do Estado no campo dos direitos e da cidadania. Busca-se compreender o deslocamento provocado pela extensão dos domínios do patológico para o campo das políticas sociais e do reconhecimento, através do qual a legitimidade de certos direitos e reivindicações de grupos, populações, comunidades ou sujeitos sociais passa pelo crivo do reconhecimento de um transtorno, disfunção, doença. Ou seja, um processo em que a legitimidade dos direitos que sustentam certas políticas públicas passa a ser uma biolegitimidade.

No entanto, a conjuntura nacional que se abre após o golpe midiático-jurídico-parlamentar de 2016 coloca para a antropologia um novo desafio, ligado às resistências que começam a se estruturar contra o retrocesso nas políticas sociais distributivas e nos direitos.
Pensando nesse desafio, o Colóquio sugere que as pesquisas apresentadas incluam um momento de reflexão sobre que novos desafios são esses e o que pode a antropologia em uma conjuntura de retrocesso, perda de direitos, tentativas de veto a certos temas de ensino e pesquisa e falência da democracia. 

Para tal, o Colóquio prevê momentos diferenciados de debate: apresentação de trabalhos de estudantes de graduação e pós-graduação, a serem debatidos pelos convidados; e duas mesas redondas sobre Biopolíticas, medicalização da vida e resistências e Antropologia, Estado e políticas públicas

PROGRAMAÇÃO:

DIA 19/06/2017 – SEGUNDA

9h – Abertura do Colóquio

9h às 12h – Roda de Conversa ““Sujeitos, corporalidades e resistências e contextos biopolíticos” – relatos de campo
Debatedores: Marcos Aurélio da Silva (UFMT) e Ana Paula Muller de Andrade (UEPr-Irati)
Expositoras/es: Nadia Heusi (PD – PPGAS); Javier Páez (PPGAS/UFSC); Juliana Ben Brizola (PPGAS/UFSC); Jainara Oliveira (doutoranda/PPGAS); Bianca Ferreira Oliveira (doutoranda/PPGAS); Everson Fernandes (mestrando/PPGAS). Marcelo Balvoa (Graduação em Antropologia); Silvia Bittencourt (UNISUL); Marina Monteiro (doutoranda/PPGAS)

14h às 17 – Mesa-Redonda Biopolíticas, medicalização da vida e resistências
Coordenação: Sônia W. Maluf
Expositores: Rogério Azize (UERJ); Ana Paula Müller de Andrade (UEPr); Marcos Aurélio da Silva (UFMT); Mirella Alves de Britto (Estácio).

DIA 20/06/2017 – TERÇA

9:30h às 12h – Roda de Conversa “Pesquisando em serviços e instituições” – relatos de campo
Debatedora: Mirella Alves de Brito (Estácio de Sá/SC) e Luciane Ouriques
Expositores/as: Maria Fernanda Salvadori Pereira (doutoranda PPGAS/UFSC); Inaê Iabel Barbosa (Graduação em Ciências Sociais/UFSC); Camila Dias (Graduação em Antropologia/UFSC); Amanda Rodrigues (doutoranda/PPGAS); Julia Bercovich (Graduação em Antropologia); Gustavo K. Rosa (mestrando – PPGAS); Fernando Cielo (doutorando/PPGAS); Isadora Zuza da Fonseca (mestranda/PPGAS).

14h – 17h – Mesa Redonda: Antropologia, Estado e políticas públicas: o que pode a antropologia
Alberto Groisman (PPGAS/UFSC); Luciane Ouriques (PPGAS/UFSC); Sônia Weidner Maluf (PPGAS/UFSC)

Numa tarde qualquer: uma antropologia da Parada da Diversidade em Cuiabá e da cultura LGBT no Brasil contemporâneo

Artigo publicado na revista Bagoas (UFRN), 10 (15), 2016

A partir da pesquisa etnográfica feita na Parada da Diversidade de Cuiabá, entre os anos de 2014 e 2016, através de entrevistas com os organizadores e observação participante, o artigo pretende uma reflexão antropológica sobre esse tipo de evento que acontece no ocidente desde 1970, como forma de comemoração da “batalha debagoas Stonewall”. No Brasil, as paradas começaram em meados dos anos de 1990, tornando-se a de São Paulo a maior do mundo, e colocam o país entre os que mais realizam esse evento, com mais de duas centenas. Outro ponto discutido é a suposta falta de consistência política das paradas, por conta de terem um lado festivo bastante destacado. Como veremos, tanto a teoria antropológica quanto a própria história e o formato das paradas, como corporalidades que se inscrevem no tecido urbano, negam que esses “carnavais fora de época”, como são acusadas, sejam menos políticos ou mesmo eficientes que outras formas convencionais de militância.

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Jornadas do NAPlus: os saberes das “drogas”

O Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais (NAPlus) realiza mais uma edição das Jornadas do NAPlus, com a mesa redonda “Os saberes das ‘drogas’: os limites da política proibicionista”, que acontece no dia 24 de maio, às 14h no auditório do Museu Rondon. A mesa reunirá pesquisadores que vão debater a questão do uso de entorpecentes e os limites das políticas nas áreas de segurança e saúde, pautadas pelo proibicionismo. A mesa faz parte da Semana de Luta Antimanicomial. As Jornadas do NAPlus, evento que, desde o ano passado, reúne pesquisadores, militantes, produtores culturais, cidadãos com diferentes trajetórias e experiências sobre temas delicados e importantes da contemporaneidade.

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Simpósio temático “Gênero e Cinema: entre narrativas, políticas e poéticas”

CHAMADA DE TRABALHOS PARA O 3º DESFAZENDO GÊNERO

O 3º Seminário Internacional Desfazendo Gênero recebe até 7 de maio de 2017 propostas de comunicações a serem apresentadas nos simpósios temáticos. O evento acontece em Campina Grande, Paraíba, entre 10 a 13 de outubro de 2017. No mesmo período, também podem ser enviadas propostas de pôsteres para serem expostos no evento, considerando o seguinte cronograma:

Prazo para envio de resumo simplificado: 31 de março a 07 de maio.
Divulgação de aceites: até 31 de maio.
Envio do Trabalho completo: 1 a 30 de junho.
Orientações para submissão de comunicações para os Simpósios Temáticos: http://desfazendogenero.com/#submetaproposta

DESFAZENDO

Gênero e Cinema: entre narrativas, políticas e poéticas
Coordenadores: Marcos Aurélio da Silva (GRAPPA; PPGAS/UFMT); Paula Alves de Almeida (GRAPPA; ENCE/IBGE); Luiz Gustavo Pereira de Souza Correia (GRAPPA; PPGAS/UFS).
Email para propostas: st37@desfazendogenero.com
O simpósio pretende reunir pesquisadores e pesquisadoras que estudam as questões de gênero a partir de um olhar sobre o cinema, bem como aqueles que investigam a linguagem e a produção cinematográficas, a partir do campo das relações de gênero. Quais os lugares dos gêneros nos discursos cinematográficos? Como as sexualidades são apropriadas e negociadas nas produções cinematográficas? Se o cinema é um espaço de construção, crítica e reprodução, como o feminino e o masculino se posicionam e como são posicionados? Como são projetadas as sexualidades não hegemônicas em produções comerciais e independentes? Os estudos de cinema e a crítica feminista têm se colocado, desde os anos 70, diversas perguntas sobre o lugar da narrativa fílmica na constituição dos olhares sobre os gêneros e, mais recentemente, o discurso fílmico tem sido apropriado como forma de contestação e problematização dos discursos que buscam normatizar e domesticar as sexualidades. Este simpósio reunirá reflexões que tenham como eixo norteador as linguagens cinematográficas comerciais, independentes, alternativas, ficcionais e/ou documentais, como produtoras de significados que não apenas refletem as relações de gênero e sexualidade, mas que também constituem essas relações em processos contemporâneos de subjetivação. Se o cinema porta um discurso sobre as socialidades humanas, performando críticas, questionamentos, dúvidas e afirmando verdades, esse simpósio pretende reunir trabalhos que permitam entender o cinema como um espaço habitável por esses sujeitos que se constituem e são constituídos na linguagem cinematográfica. Também buscamos trabalhos que enfoquem produções audiovisuais, coletivos e/ou diretores, produtores e outros artistas que se utilizam da linguagem cinematográfica para desfazer ou desconstruir o gênero, oferecendo novos olhares para o cinema e para os sujeitos dessas produções. Quais são os desafios apresentados à teoria do cinema, aos estudos de gênero e sexualidade e às ciências humanas por novas cinematografias e pelos usos do cinema nas movimentações políticas e sociais?

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Jornadas do NAPlus: o Carnaval e a Cidade

O Núcleo de Antropologia e Saberes Plurais (NAPlus) realiza mais uma edição das Jornadas do NAPlus, com a mesa redona “O carnaval e a cidade: experiências locais, perspectivas nacionais”, que acontece no dia 7 de abril, às 14h30 no auditório do Museu Rondon. A mesa reunirá pesquisadores e carnavalescos que vão debater a importância das festas para a cidade e para a cidadania.

Participam o carnavalesco da Unidos do Viradouro (São Gonçalo/RJ), Edson Pereira, que nos últimos anos foi destaque com seu trabalho nas escolas Unidos de Padre Miguel e Mocidade Independente, e o carnavalesco Celso Nazário da escola de samba Tradição do Araés, atual campeã do carnaval de Cuiabá. O mestrando Victor Marques, do PPGAS/UFMT, também apresenta resultados preliminares da sua pesquisa de dissertação sobre o tema.

A mesa faz parte das Jornadas do NAPlus, evento que, desde o ano passado, reúne pesquisadores, militantes, produtores culturais, cidadãos com diferentes trajetórias e experiências sobre temas delicados e importantes da contemporaneidade.

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Carnaval e audiovisual: é preciso ir além dos estereótipos

Artigo publicado na revista SESC TV, de fevereiro de 2017

A relação entre carnaval e audiovisual oferece algumas sescpossibilidades interessantes de reflexão. A começar pelos elementos da experiência carnavalesca que são, principalmente mas não apenas, audiovisuais, ou seja, som e imagem lhe dão forma e conteúdo. Ninguém apenas ouve carnaval ou vê carnaval – exceto as pessoas com restrições de audição ou visão, obviamente, cuja experiência com o carnaval deve guardar certas peculiaridades. Mas, em geral, é a junção dos aspectos visuais de fantasias, alegorias e corporalidades com os aspectos sonoros do samba, do frevo, do coco, do maracatu e das marchinhas – e a lista de gêneros poderia ser ampliada caso incluíssemos carnavais de outros países – que produzem uma experiência multissensorial.

Dito isto, é importante ressaltar o quanto esses aspectos audiovisuais do carnaval fazem dele – em todas as suas vertentes – uma das festas populares mais representadas nas produções audiovisuais brasileiras. Seja nos filmes, nos documentários, nas telenovelas ou nas transmissões anuais da televisão, o carnaval se mostra como uma festa representável e capaz de atrair milhares de espectadores em praticamente toda a história do audiovisual brasileiro. No cinema, é impossível não citar que, já nas primeiras décadas, o carnaval esteve em Favela dos meus amores (direção de Humberto Mauro, 1935) que tem a presença da Portela em sua narrativa. Ou em Alô, alô carnaval (direção de Adhemar Gonzaga, 1936) que contou com Carmem Miranda, um ícone desse cinema e das machinhas de carnaval dos anos 30. Foi um destaque central das chanchadas da Atlântida, como em Carnaval Atlântida (direção de José Carlos Burle, 1952) e outros que traziam cantores e marchinhas que se tornariam sucesso nas ruas e rádios. Ou ainda no precursor do Cinema Novo, Rio 40 graus (direção de Nelson Pereira dos Santos, 1955) que apresenta um ensaio da Unidos do Cabuçu sendo visitada por integrantes da Portela, em suas muitas visões sobre o Rio de Janeiro.

A lista é imensa e ainda conta com as duas versões da peça Orfeu da Conceição, de Vinícius de Moraes – Orfeu Negro, dirigido por Marcel Camus em 1959, e Orfeu, dirigido por Cacá Diegues em 1999, filme que teve cenas gravadas na Sapucaí, durante o desfile da Unidos do Viradouro. Além disso, desde os anos 70, o cinema documentário também tem produzido pérolas sobre o carnaval, sempre dando destaque às festas mais tradicionais, os personagens de maior destaque nas agremiações carnavalescas ou até mesmo mostrando os passos da produção desses desfiles que se espraiam pelas ruas da cidade levando o nome de suas comunidades. Alguns desses títulos imperdíveis estarão em breve na programação da SESC TV.

Mas sobre todas essas representações, cabe refletir o quanto muitas vezes elas possuem seus limites ou até mesmo estereótipos que não fazem jus à diversidade do carnaval brasileiro. Em alguns filmes, documentários e telenovelas, essas festas geralmente são capturadas a partir do ponto de vista de sua tradição, com pouco destaque aos aspectos dinâmicos e contemporâneos dessas festas. Há exceções, até mesmo em telenovelas como Senhora do Destino (2004), Duas caras (2007) e Império (2014), todas escritas por Agnaldo Silva e incluíram em suas narrativas escolas de samba fictícias que tinham parte importante nas tramas. Exceções também podem ser vistas nesses documentários que, ao mostrarem os passos de desenvolvimento dos desfiles apontam as muitas formas de resistência presentes no carnaval brasileiro, seja dos moradores das favelas marginalizados que mostram suas artes musicais e plásticas num espaço privilegiado da cidade, seja dos trabalhadores rurais do maracatu, seja dos participantes de blocos, escolas e grupos que lidam com as inovações da festa, seja nas críticas às desigualdades sociais que tais contextos podem ressaltar.

As transmissões ao vivo não fogem a certos estereótipos. Como nas falas de comentaristas sobre os corpos femininos em destaque ou aquelas sobre a idade das participantes da ala das baianas ou da velha guarda em textos que só buscam justificar que são tradicionais sem destacar o papel ativo desses sujeitos na produção atual das festas ou mesmo sem enfatizar o quanto essas festas são mais contemporâneas do que a continuação de um passado distante. Transformam em folclore uma cultura pulsante e sempre atual seja na sua estética ou em seus temas. Não é possível generalizar essa crítica pois os modelos de transmissão do desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro não é o mesmo das de São Paulo, assim como difere da transmissão dos trios elétricos de Salvador ou dos afoxés como os Filhos de Ghandi. Dependendo de locutores e comentaristas, essa ênfase na tradição ou na contemporaneidade pode variar.

Mas o estereótipo de maior presença nas transmissões ou reportagens de TV sobre carnaval talvez seja aquele que divide o Brasil por tipos de festas. Assim, o carnaval das escolas de samba parece acontecer somente no Rio de Janeiro e em São Paulo; os trios elétricos ou os afoxés, exclusivos da Bahia; o maracatu e os blocos de frevo, em Olinda e Recife; o bumba-meu-boi em Manaus; e as festas de reggae em São Luís do Maranhão. Esse mosaico de festas geralmente é apresentado pelas principais emissoras de tevê, nos intervalos dos desfiles das escolas de samba que ocupam toda a programação de pelo menos quatro noites, em giros pelas capitais e grandes cidades brasileiras mais conhecidas por seus carnavais. Num desses giros, se costuma ouvir frases do tipo: “Em Manaus (ou São Luís) o ritmo é outro”, com uma sequência de imagens com desfiles de grupos de bumba-meu-boi no bumbódromo da cidade (ou de multidões ao som do reggae na capital maranhense). Nenhuma palavra para se referir ao sambódromo de Manaus ou à passarela do samba de São Luís que na mesma noite recebiam as escolas de samba de suas cidades, com sua inegável ligação com os desfiles de origem carioca. O mesmo acontece com cidades como Natal, Belém, Florianópolis, Vitória, Belo Horizonte, Cuiabá ou Porto Alegre, cujo mesmo carnaval de escolas de samba costuma ser negligenciado pelas transmissões em rede nacional das emissoras. O mesmo talvez possa ser dito dos maracatus e afoxés que desfilam pelo sudeste e no sul, além de outras festas que cruzam o país.

Nessa relação entre o audiovisual e carnaval, é preciso acrescentar que em relação às suas muitas vertentes elas podem ser conhecidas através de plataformas de vídeos como o YouTube onde pequenos filmes feitos por participantes ou por coletivos organizados, ou mesmo a gravação das transmissões feitas apenas para as emissoras de TV locais, trazem trechos dos desfiles e apresentações das mais variadas festas de carnaval no Brasil. Assim, a diversidade do carnaval brasileiro desafia o modelo das transmissões televisivas que poderia abranger festas que fogem desse estereótipo, o que já vem acontecendo com a transmissão em rede nacional do carnaval de Vitória e talvez aconteça em 2017 com os desfiles de Florianópolis – as duas cidades disputam facilmente o título de “terceiro melhor” desfile de escolas de samba do país, na ótica de seus realizadores. Ainda assim, parece que são as plataformas de filmes e vídeos da internet que podem colocar ainda mais em evidência essa pluralidade, mas já é tema para outro artigo.

Marcos Aurélio da Silva é doutor em Antropologia pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e graduado em Comunicação Social pela mesma universidade. Atualmente é professor e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Mato Grosso, atuando nas áreas de Antropologia Urbana, do Cinema, do Gênero e da Performance.

Gênero e cinema: entre narrativas, políticas e poéticas

As inscrições para comunicações no Fazendo Gênero 2017 foram prorrogadas até 13 de fevereiro de 2017. Abaixo simpósio coordenado pelo Grappa –Grupo de Análises de Políticas e Poéticas Audiovisuais.
http://www.fazendogenero.ufsc.br/wwc2017/

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ST045. Gênero e cinema: entre narrativas, políticas e poéticas
Coordenadoras/es: Debora Breder Barreto (Universidade Católica de Petrópolis), Marcos Aurélio da Silva (Universidade Federal de Mato Grosso)

Resumo: O simpósio, presente em duas edições anteriores do fazendo Gênero (2008 e 2013), pretende reunir pesquisadores e pesquisadoras que estudam as questões de gênero a partir de um olhar sobre o cinema, bem como aqueles que investigam a linguagem e a produção cinematográficas, a partir do campo das relações de gênero. Quais os lugares dos gêneros nos discursos cinematográficos? Como as sexualidades são apropriadas e negociadas nas produções cinematográficas? Se o cinema é um espaço de construção, crítica e reprodução, como o feminino e o masculino se posicionam e como são posicionados? Como são projetadas as sexualidades não hegemônicas em produções comerciais e independentes? Os estudos de cinema e a crítica feminista têm se colocado, desde os anos 70, diversas perguntas sobre o lugar da narrativa fílmica na constituição dos olhares sobre os gêneros e, mais recentemente, o discurso fílmico tem sido apropriado como forma de contestação e problematização dos discursos que buscam normatizar e domesticar as sexualidades. Este simpósio reunirá reflexões que tenham como eixo norteador as linguagens cinematográficas comerciais, independentes, alternativas, ficcionais e/ou documentais, como produtoras de significados que não apenas refletem as relações de gênero e sexualidade, mas que também constituem essas relações em processos contemporâneos de subjetivação. Se o cinema porta um discurso sobre as socialidades humanas, performando críticas, questionamentos, dúvidas e afirmando verdades, esse simpósio pretende reunir trabalhos que permitam entender o cinema como um espaço habitável por esses sujeitos que se constituem e são constituídos na linguagem cinematográfica. Também buscamos trabalhos que enfoquem produções audiovisuais, coletivos e/ou diretores, produtores e outros artistas que se utilizam da linguagem cinematográfica para desfazer ou desconstruir o gênero, oferecendo novos olhares para o cinema e para os sujeitos dessas produções. Quais são os desafios apresentados à teoria do cinema, aos estudos de gênero e sexualidade e às ciências humanas por novas cinematografias e pelos usos do cinema nas movimentações políticas e sociais?

Localizando performances: territorialidade e os estudos antropológicos de gênero e sexualidade

Artigo publicado na Revista Urbana (CIEC/Unicamp), vol. 7, n. 2, 2015

capa_urbanaOs usos de conceitos e metáforas espaciais, nos estudos de gênero e sexualidade das últimas décadas, apontam uma dimensão crítica das ciências humanas e da própria militância em relação a teorias essencialistas ou deterministas, atingindo conceitos bastante caros a algumas disciplinas e aos movimentos sociais, como é o caso do conceito de identidade (ALCOFF, 2006). Este artigo parte de reflexões das teorias feministas pós-coloniais dos anos 1980 para pensar nas possibilidades que os conceitos espaciais trouxeram para as ciências humanas, em especial à antropologia, de onde parto, que tem se utilizado da noção de territorialidade como uma importante alternativa aos essencialismos que rondam as discussões sobre gênero e sexualidade. Assim, as metáforas e conceitos espaciais tornaram-se uma alternativa a teorias que pensam corpos e identidades enquanto unidades acabadas e distintas (Rich, 2002; PERLONGHER, 1987; 1993), abrindo também novas possibilidades para a teoria antropológica contemporânea em suas renovações críticas dos conceitos de sociedade e cultura (INGOLD, 2005).

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IV SEMANA DE DIREITOS HUMANOS: “Democracia e Direitos Humanos”

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O NAPlus vai participar da IV Semana de Direitos Humanos & IV Mostra de Cultura e Arte das Gentes do Pantanal, na conferência de sexta de manhã, “Gênero, sexualidade e violência: o difícil enfrentamento do machismo e heteronormatividade na construção democrática”, quando apresentaremos as pesquisas do GPAC – Grupo de Pesquisa em Antropologia do Contemporâneo: Sujeitos, Sociabilidades e Visualidades, sobre a política LGBT e o enfrentamento da violência e das LGBTfobias.

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Antropologia e Cinema